Cajsa S. Lund veio ao Museu Nacional de Arqueologia dar um excelente workshop sobre Arqueomusicologia.
Dinâmico, prático, fascinante, eye-opener. (E infelizmente com muito muito pouca audiência, portanto uma oportunidade desperdiçada por muitos arqueólogos.)

No fundo, salientou a importância das soundscapes, pois os sítios e os tempos não são só feitos de objectos, paredes e pessoas, mas também de sons, sejam da natureza ou da vivência humana.
Foi uma viagem através dos sons, desde a pré-história aos nossos dias, sobre o potencial musical de tantos objectos da natureza, as duplas ou triplas funções que os objectos podem ter, e a evolução de instrumentos musicais básicos, infantis, que estão por cá há milénios.
Pensar nos humanos pré-históricos a dançar à volta da fogueira enquanto batiam dois pedaços de sílex um contra o outro, sopravam em flautas feitas de osso e canas, agitavam bivalves recheados de sementes, e as conchas chocalhavam nos pescoços e braços, é uma imagem que sabe bem ter a conviver lado a lado com as habituais representações da indústria lítica ou dos caçadores-recolectores.

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