Etiquetas

, ,

“Olhe à sua volta: há um mundo de coisas às quais não se dá a menor importância. Poeira? Você já alguma vez considerou a poeira como algo possível de ter outro significado? E o lixo pode ser algo para além de ser simplesmente lixo? Pois bem, Vik Muniz, um artista brasileiro, foi capaz de olhar para essas coisas quotidianas e, com elas, recriar possibilidades de apresentar e perceber o mundo.” (in flyer da exposição)

O CCB acabou de expor uma das mais completas visões sobre o trabalho de Vik Muniz.

Uma das áreas mais marcantes do seu trabalho foi fazer a passagem do lixo a arte, e a ligação entre o representado e o material com que fez essa representação.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Na altura em que estava a preparar o texto de stand up para os Cientistas de Pé a obra deste artista foi um dos pontos de partida, quando o David Marçal, nosso director de texto, me mandou este link, onde aparecia esta frase: “Uma coisa que se descobre é que uma sociedade não se define pelo que produz ou consome, mas muito pelo que joga fora. Sempre que deita lixo fora está a deitar fora um auto-retrato e está a expô-lo a desconhecidos.”
Retratos que o arqueólogo faz tantas vezes a partir dos artefactos encontrados. E no fundo os arqueólogos estão a maior parte das vezes a lidar com os restos e o lixo daqueles que por cá viveram antes de nós, seja de ontem (Arqueologia Contemporânea) seja de há milhares de anos atrás (Arqueologia Pré-histórica).

Vejam o documentário Wasteland para uma melhor compreensão da dimensão e método de trabalho do artista!

E não pude deixar de associar estas duas. Aqui Vik Muniz tem “desenhos de utensílios domésticos medindo entre 120 e 180 m, gravados no solo de uma mina de ferro, no Brasil, com uma retroscavadora”, e embora não se tenha inspirado directamente nas figuras de Nazca, a mim foi o que me fez lembrar (imagem do pássaro tirada daqui).

Anúncios