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“Mick Aston, the archaeologist, has quit Time Team after producers hired a former model as the programme’s co-presenter. ”

Time Team é daquelas séries que revolucionaram a relação entre o público e a Arqueologia (e que eu ainda sonho que um dia tenha uma versão portuguesa!).

Esta série britânica começou em 1994, vai na 19ª temporada (mais uns quantos episódios especiais), em 2003 obtinha 15 a 20 % do share total de audiências, e trouxe a Arqueologia para o dia a dia da população de uma maneira nunca antes pensada: inovadora, interactiva, e humana.
Teve resultados como: uma melhor receptividade do público face aos arqueólogos, nomeadamente em contexto de obra! (uma luta que nós por cá bem entendemos).

Dois factores são de apontar para este sucesso: o factor mistério e descoberta, e a personalidade dos intervenientes.  E essa personalidade é visível também no vestuário, no que chama de uma “celebração do pó e da lama”, com arqueólogos despenteados, sujos e com roupas fora de moda (Mick Aston é o da camisola às riscas, que se tornou uma figura excêntrica mas adorável. Vejam “Mick’s Masterclass” aqui!).

E a ninguém se podia apontar falha de conhecimentos (as equipas eram escolhidas a dedo cheias de especialistas), de metodologia (pode ser questionável a velocidade dos 3 dias, mas nada era deixado ao acaso, e há imensa geofísica, investigação antes, e trabalho de laboratório depois) ou de esforço (era vê-los a correr, no tempo britânico, na lama, de colherim na mão, a perguntarem aqui e ali).

Agora parece que se questiona se a nova co-apresentadora, ex-modelo, não foi a gota de água que anuncia o limite do equilíbrio mediatização+ciência.

Notícia no The Telegraph.

 (Foto e site da série em: http://www.channel4.com/programmes/time-team)

Actualização:
Time Team perde Mick Aston e adquire ex-modelo. E depois fica sem nenhum:
Vale a pena ler este artigo, até porque dá uma perspectiva do lado da Mary-Ann Ochota.

Parece que a entrada desta co-apresentadora fazia parte de um processo mais profundo de aligeirar o conteúdo científico do programa. Compreendo que quase duas décadas de emissão podem levar a que seja muito difícil actualizar o programa com sucesso, mas pensaria que o conteúdo científico que funcionou durante tantos anos seria o mesmo que manteria o público. Mas no fundo nada nestes assuntos é linear e nada resiste incólume à passagem do tempo.

 

 

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