Ecce Homo: quando um mau restauro se torna um visitor-magnet

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A pequena capela em Borja, onde o mais famoso mau restauro de sempre foi feito, recebeu 70 mil visitantes num ano e arrecadou um total de 50000 euros.
Sendo cobrado um euro por visitante, a “restauradora” octogenária defende o seu direito legal a uma parte dos lucros.
Os restauradores profissionais dizem que facilmente se pode restaurar a pintura ao seu desenho original, mas com estes números invejáveis em visitantes e merchandising, é preferível ter uma pintura de 1910 ou esta verdadeira atracção turística?

A small chapel in Borja, home of the most famous bad restoration, received 70 000 visitors in one year and grossed a total of 50,000 euros.
Since one euro per visitor is being charged to visit this work, plus selling plenty of merchandising, the octogenarian“restorer”  defends her legal right to a share of the profits.
The professionals say they can easily restore the painting to its original design, but with these enviable figures on visitors and merchandising, it is preferable to have a painting from 1910 or this true visitor-magnet?

Arqueologia: “Porque é que o Público se há de interessar?”

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“O interface entre a ciência e o público continua a ser um dos territórios mais inexplorados da ciência”

São palavras de Pedro Russo, astrónomo e International Project Manager (IPM) do European Union Universe Awareness project, a propósito desta questão do relacionamento entre a ciência e o público.

Recomendo as notas fornecidas pelo mesmo em: https://medium.com/ciencia-e-sociedade/e03b0dfbae2c

apresentação teve lugar no SciCom PT 2013, O Congresso de Comunicação de Ciência, que se apresenta como “ponto de encontro e discussão para todos os que trabalham e se interessam pela comunicação e divulgação da Ciência”, e que decorreu de 26 a 28 de Maio no Pavilhão do Conhecimento Ciência Viva.

Como este diz, “Sem uma gramática da ciência estamos a incapacitar as gerações presentes e futuras para a compreensão do debate e ideias que afectam as suas vida. E isso é perigoso e até criminoso.”

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É esse um dos principais objectivos da Festa da Arqueologia, que terá lugar no Museu Arqueológico do Carmo já este fim-de-semana. E foi esse o tema que levei na minha apresentação de poster.
No panorama de um excelente congresso só pude lamentar a inexistência de representantes de tantos outros excelentes projectos de comunicação de arqueologia que existem pelo país.
Parece faltar ainda aos profissionais de Arqueologia perceber que a comunicação de ciência não é só para “as outras” ciências.

Ciência-Cidadã aplicada à Arqueologia

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Ao encontrar o blog archaeologymatters2.blogspot.com encontrei também dois projectos muito interessantes de ciência colaborativa, com cidadãos-cientistas.

Traduzido para português como Ciência Cidadã (a expressão usada em português é mesmo a tradução à letra da expressão inglesa Citizen Science), este é um processo de produção de conhecimento em que a comunidade científica pede apoio à sociedade em geral, através dos seus cidadãos (não obrigatoriamente cientistas), para ajudarem e participarem no trabalho. É já frequente vê-lo por exemplo nas ciências naturais (nomeadamente na contagem de espécies), e é bom encontrá-lo na Arqueologia também.

Estes dois em particular pedem ao visitante para apoiar a descoberta da localização do túmulo de Gengis Khan, através da identificação de elementos chave no mapa disponibilizado, ou para ajudar na tradução de papiros através da identificação dos símbolos. Cliquem nas imagens para ir para as páginas dos respectivos projectos.

Mongolia NG


AncientLives

Historical Documents for sale on Amazon

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“This, the unconditional surrender of the German Third Reich was signed in the early morning hours of Monday, May 7, 1945”

surrender agreement

Assim começa a descrição de um documento histórico único, ligado ao fim de um terrível momento da história humana, e que termina com:

Price: $4,250,000.00
Only 1 left in stock.

A venda de artefactos e documentos históricos não é novidade, mas é sempre fonte de preocupação. Porque também significa a minimização de momentos e eventos, e neste caso a II Grande Guerra não é algo que deva ser minimizado ou esquecido.

Volta à discussão o debate sobre a necessidade de proteger artefactos importantes para a história da humanidade. Criar um estatuto de Objecto Património da Humanidade? (ver uma discussão sobre isso aqui).

Ah, e leiam as “reviews”. São reveladoras do caricato e absurdo que isto parece aos olhos de todos.

So begins the description of a unique historical document, related to the end of a terrible time in human history, and which ends with:

Price: $ 4,250,000.00
Only 1 left in stock.

The sale of artifacts and historical documents is not new, but it is always a source of concern. Because it also means the belittle of moments and events, and in this case the Second World War is not something to be minimized or forgotten.

This brings back the need to discuss the need to protect artifacts important to the history of mankind. Create a World Heritage Object status? (see a discussion about it here).
Oh, and read the “reviews”. They are revealing of how it seems ridiculous and absurd to most.

Sobre reconstruir. Ou não.

To Rebuild or not to Rebuild

Nova publicação sobre o debate em torno da reconstrução in situ de sítios arqueológicos, em que os valores da autenticidade se opõem ao potencial valor científico/educacional/turístico da reconstrução.

New publication on the debate over the reconstruction of archaeological sites in situ, in which the values ​​of authenticity oppose the potential scientific/ educational/ touristic values of the reconstruction.

laarqueologiareconstructiva-web

Joan Santacana i Mestre, Clara Masriera Esquerra. 2012.
La arqueología reconstructiva y el factor didáctico

Summary and order: Ediciones Trea

 

Book Review in EXARC (the ICOM Affiliated Organisation representing archaeological open-air museums and experimental archaeology).

Operation Photo Rescue

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Operation Photo Rescue
“Insure doesn’t restore memories… but we do”

OperationPhotoRescue

Desde 2006, um serviço global de voluntários que se dedica a restaurar fotografias danificadas por desastres naturais. Porque em geral tudo o resto pode ser recuperado, mas as memórias que vêm ao olhar para fotografias precisam ainda muito desse suporte material. Ainda hoje, quando se pergunta a alguém o único item que traria da sua casa em chamas, a resposta continua essencialmente a ser: o álbum de fotografias.

 A global service of volunteers dedicated to restoring photographs damaged by natural disasters, working since 2006. Because usually everything else can be recovered, but the memories that come from looking at photographs are still very much depended of their material support. Even today, when you ask someone which would be the only item rescued from their burning house, the answer continues to essentially be: the photo album.

Artigo e Vídeo / Article and Video: http://www.bbc.co.uk/news/magazine-21327655

“Insurance can replace homes, furniture and automobiles in time of need. However, photographs, which are important pieces of a family’s history, are unprotected. Operation Photo Rescue (OPR) is a volunteer network of professional photojournalists and amateur digital photographers, graphic designers, image restoration artists and others. OPR’s mission is to repair photographs damaged by unforeseen circumstances such as house fires and natural disasters at no cost to the people who own them.”   (http://www.operationphotorescue.org/blog/about/)

Hashima: A ilha deserta de Skyfall

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Criada no final do séc.XIX para apoiar a exploração do depósito de carvão encontrado sob a ilha. Abandonada nos anos 70 quando a mina fechou. Hoje de acesso limitado, memória difícil e muito censurada, conservação complicada, e possível futura candidata a património da humanidade. E na imaginação de milhares de pessoas depois de ter aparecido no último filme do James Bond: Skyfall, graças a um encontro de sorte entre Daniel Craig e uma foto.

Erected at the end of the XIX century to support the exploration of a coal deposit found in the island. Abandoned in the 70s when the mine closed. Today with limited access,  a difficult and censored memory, complicated conservation, and possible future candidate for World Heritage status. And in the imagination of thousands of people after appearing in the last James Bond movie: Skyfall, thanks to a lucky encounter between Daniel Craig and a photo.

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Mais fotos e artigo em / Photos and article: http://www.messynessychic.com/2012/10/29/the-bond-villains-lair-skyfalls-abandoned-island/

E mais info aqui / and more here: http://www.pri.org/stories/arts-entertainment/movies/bond-movie-skyfall-s-deserted-island-a-real-place-in-japan-12196.html

o património ou a vida?

Plato’s Tree Cut Down For Firewood:

http://greece.greekreporter.com/2013/01/17/platos-tree-cut-down-for-firewood-2/

Mais notícias do estado da situação na Grécia. Saiu agora a notícia de que a oliveira sob a qual Platão se sentava, o único exemplar sobrevivente do bosque junto à famosa Academia, foi cortada para servir como combustível durante a actual vaga de frio.

O que traz de volta uma pergunta que por vezes me atormenta: Qual é realmente o valor do nosso trabalho com o património face à tanta falta de coisas essenciais pelo mundo? Será a preservação do património um luxo apenas para sociedades que já resolveram todas as necessidades básicas de alimentação e segurança? Ou estamos num ponto universal em que o direito à memória e à preservação do passado deviam já ser direitos básicos protegidos pelos estados?

Entre correr o risco de congelar ou salvar uma árvore histórica, parte da identidade nacional, o que escolheríamos? E será que quem a cortou saberia realmente o que aquela árvore significava?

Pontos de Vista

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Porque é sempre bom saber olhar para o património e a memória de vários pontos de vista, concordemos ou não com eles, aqui a memória analisada sob a perspectiva espiritualista e metafísica de Osho, que defende deixar o passado para trás (mas que não está obviamente a falar de património histórico-arqueológico):

“A memória é a persistência daquilo que já não é”